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O Forte - Bernard Cornwell

O FORTE Romance Histórico de Bernard Cornwell, da Editora Record
         
 O Forte de Bernard Cornwell
 O mais empolgante em ler uma literatura de ficção de base histórica, ou o verdadeiro Romance Histórico, é saber que tudo aquilo realmente aconteceu, e que o final, mesmo já sabido, ainda assim, é emocionante. O livro O Forte de Bernard Cornwell, é um excelente exemplo, pois aqui o escritor inglês não saiu da linha da História, montou seu romance ao narrar em detalhes o que seria um pequeno comflito entre americanos e ingleses, no século XVIII, “Expedição Penobscot”, e que veio a se tornar o maior fiasco, o maior vexame  – em linhas moderadas - o pior desastre da marinha americana, até a mesma se deparar com Pearl Harbor. Quer dizer, o gigante tem um calcanhar dolorido.

         No verão de 1799, três anos após a independência americana, onde hoje se encontra o estado americano de Maine, e que na época pertencia ao imenso estado de Massachusetts, numa baia formada por uma foz, um istmo e algumas ilhas, aportou uma pequena frota britânica composta por 3 navios e 750 homens no intuito de formar uma bateria de apoio a implantação de uma província do rei George III, o louco, e o lugar deveria se chamar Nova Irlanda. Esta expedição era comandada pelo experiente general escocês, Francis McLean, carismático, inteligente, estrategista e cujo contingente era formado por soldados dispostos a lutar e morrer por seu rei. Logo que se instalaram na região, iniciaram a construção rudimentar de um forte, o qual recebeu o nome de Forte George.
        Ao aportarem e se estalarem na região, dominaram o porto e iniciaram a construção de um forte em um lugar estratégico, pois sabiam que os rebeldes iriam atacá-los e só restava se prepararem para o enfrentamento, pois em nome do rei eles estavam dispostos a “aterrorizar, matar, conquistar”. Quando o governo americano soube da invasão ordenou uma expedição sob o comando do arrogante superior capitão-de-mar-e-guerra, comodoro Saltonstall, para “aprisionar, matar, destruir”. A expedição era formada por uma frota com aproximadamente 40 navios, entre os de guerras e de transportes, todos estavam muito bem munidos de armas de artilharia e canhões, além de um considerável estoque de comida. No entanto, o regimento era formado por menos de 900 homens, muitos deles de utilidade questionável.  Os homens que foram recrutados para essa batalhas foram obrigados a irem à luta, coagidos a deixarem suas terras e família. Estes homens, formados por agricultores, mercenários, índios e quem mais fossem aliciados entre jovens, velhos e crianças, não eram comprometidos com o rigor de uma guerra, não possuíam disciplina e obediência militar. O despreparo é percebido pela luneta de McLean, apesar de sua pouca visão. Mas nem só de maus soldados se faz uma guerra desonrada, ela também é bem estruturada pela má dedicação de seu comando, principalmente, quando grande parte dessa autoridade é ciente de que os casacas-vermelhas seriam facilmente derrotados, e que aquela guerra estaria ganha, mesmo antes de iniciada. Aliás, subestimar o inimigo foi uma prática utilizada por toda a liderança, já que essa gigantesca frota tinha o objetivo de destruir um pequeno, baixo e inacabado forte, mais ainda 3 pequenos navios de guerra. Mas o que culminou com a derrota dos revoltosos foi a intriga, entre o comodoro da expedição, Saltonstall, e o general de infantaria Joseph Lovell, sem falar na falte de comando e determinação diante de seus oficiais em uma operação que deveria ser rápida e durou semanas, frustrou-se com a retirada do regimento americano em fuga por terra, todos os navios foram afundados ou incendiados pelo próprio cerco,  para não serem capturados como arma de guerra pelo inimigo. De início, logo quando os revoltosos chegarem à península, o fogo artilheiro venceu os primeiros obstáculos e facilmente a infantaria americana adentrou ao território dominado, porém não souberam dar continuidade e depois de dias sem saberem que atitude tomar os invasores receberam reforços e os rebeldes se viram a encurralados dentro da baia. Saldo final, perderam as armas e quase 500 homens, mas em compensação ganharam um  momento que ficou marcado em todos os livros de história americana. Uma vergonha para as armas americanas para todos os tempos, pois a derrota do cerco foi provocada por vaidade, estupidez, arrogância, falta de direção e comando.

      Trecho da minuta do conselho de guerra do general de brigada Lovell, em agosto de 1779: “Grande carência de disciplina e subordinação, muitos oficiais sendo excessivamente frouxos no cumprimento do dever, os soldados tão avessos ao serviço e a floresta em que acampamos tão densa que em um alarme ou qualquer ocasião especial quase um quarto do exercito sai do caminho ou se esconde.”

    Não se preocupem, não há espoiler, pois o que se conhece como spoiler, aqui, é a própria História. O livro é muito detalhista, emocionante. Não se consegue largar até a última página. Li em um fôlego. Já a linguagem do livro, é uma atração a parte. É com satisfação que se percebe a diferença entre as linguagens dos diálogos. Cornweel sabe muito bem usar cada povo com seu jeito próprio de falar. E ele não deixou de fora o sutil humor inglês, comparado à rude tendência da expressão americana.
        Para àqueles que gostam de uma linda história de amor, devo dizer: aqui não há. encontra-se neste livro uma não ficção com uma visão romanceada, não há casos de amor, muito menos beijos apaixonados. É história pura, luta, estratégias, vida e morte. Não gostaria de entrar no cerne ao dizer que seja livro para macho, longe de mim. Não vou determinar o que seja de um ou de outro, principalmente que nós mulheres já deixamos bem claro o que nós somos capazes e o que nos é devido ou não.


CORNWELL,Bernard. O Forte,Editora Record, 2011.487p