f
  • sociedade secreta
  • o homem do bosque
  • sangue na neve
  •  o visconde que me amava
  • Um Gato de Rua Chamado Bob
  •  O Dominador
  • sedução ao amanhecer
  • a estrela mais brilhante do céu
  • a pousada rose harbor
  • o poder da espada
  • os naufragos
  • entre  o agora e o nunca
  • mel e amendoa
  • puro
  • as feiticeiras de west end
  • a cidade sombria
  • a improvavel jornada
  • emmi e leo

O Caderno de Maya - Isabel Allende

Resenha O Caderno de Maya, Isabel Allende Editora Bertrand Brasil



      Naturalmente eu sabia que ia encontrar uma história maravilhosa ao ler O Caderno de Maya, pois a escritora Isabel Allende é uma das principais revelações da literatura universal contemporânea. Apesar de já ter lido outros livros dela, este me surpreendeu muito, principalmente por que nele não há uma sinopse clara, deixando uma expectativa em aberto ao pretenso leitor.
       O livro é narrado em primeira pessoa, a própria Maya conta sua história, sob seu ponto de vista, como em um diário, impressionante, como a sua descrição física é similar a caricatura da capa do livro. Imagine-a assim fisicamente, agora, para conhecer quem realmente é Maya tem que ler o livro, pois a cada página é uma nova descoberta, uma nova mulher renasce, vive e cresce. Como em seus livros anteriores, Allende cria uma personagem feminina forte, determinada, polêmica, responsável por toda a trama e causando controvérsias em sua narrativa.
"Sou Maya Vidal, dezenove anos, sexo feminino, solteira, sem namorado -  por falta de oportunidade e não por frescura - , nascida em Berkeley, Califórnia, passaporte norte-americano, temporariamente refugiada numa ilha no sul do mundo. Chamaram-me Maya porque a minha Nini é fascinada pela a Índia e não ocorreu outro nome a meus pais, mesmo tendo tido nove meses para pensar. Em hindi, maya significa feitiço, ilusão, sonho. Nada a ver com o meu temperamento. Átila me cairia  melhor, pois onde boto meus os pés não nasce mais pasto. (...) Como sou? Tenho um metro e oitenta, cinquenta e oito quilos quando jogo  futebol e vários outros quando me descuido, pernas musculosas, mãos desajeitadas,olhos azuis e acho que sou loura, embora não tenha certeza, já que não vejo meu cabelo natural há muitos anos. (...)

          Mais uma vez, não vou introduzir nenhuma sinopse a minha resenha, desta forma eu sigo o próprio rumo da publicação, que omitiu este elemento e não seria justo eu quebrá-lo. No entanto, devo dizer que Maya, aos escrever sua triste história de vida aos 19 anos, está no Chile ( na paradisíaca ilha de Chiloé ), no ano de 2009 e a partir daí ela faz um resgate de sua memória como também um resgate da historia sangrenta do golpe militar e a ditadura chilena.  Apesar de ter um grande foco neste tema e no misticismo chileno, o livro trata mesmo é do tráfico e do consumo de drogas em todas as espécies, desde maconha até o LSD, craque, passando pelo álcool e psicotrópicos.
     O livro é um grito. Um alerta às famílias que devem se preocupar mais com seus filhos; às clinicas de reabilitação, que não estão preparados devidamente a esta árdua missão e, principalmente, aos jovens, mostrando as consequências maléficas que o vício pode provocar, desde a autofragelação, prostituição, crimes, até a morte pela própria droga ou pelos traficantes. Mas não temos aqui nenhuma lição de moral, ou uma cartilha de como se deve comportar diante de tal problema, não. O Caderno de Maya é um livro para nos emocionar, nos envolver, um livro para pensar. Se for emotiva como eu, também pode chorar.
     Fica claro, no decorrer da narrativa, a desconstrução da personagem. Maya vai ao fundo do poço, depois Allende a resgata e a reconstrói gradativamente, fazendo-a crer que é uma mulher, longe daquela adolescente mimada.
     Alguns aspectos me chamaram a atenção na trama, que eu gostaria de compartilhar, um deles é o fato de a autora citar o Brasil em algumas passagens do livro. Uma delas, ela utiliza o Pelé como um ídolo do futebol nos Estados Unidos, ainda nos dias de hoje; outro ponto, ela cita o Brasil como sendo o lugar ideal para uma rota de fuga. É aqui que se refugiam os traficantes, os falsários, os criminosos em geral. Os outros aspectos se referem à crítica social que ela faz ao Chile e ao seu povo, caracterizando-os como omissos, discreto, também fatalista.
       O livro tem uma trama muito bem armada, possui características de drama com fortes aspectos de thriller policial e investigativo. Foi uma ótima leitura e eu recomendo a quem gosta de um livro adulto.